segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Afunilamento

Foi difícil, trabalhoso e levou tempo
para estreitar a relação.
Primeiro foi preciso arriscar
depois perseverar
-depois de munto sonhar, imaginar...

A partir do momento deciso
foi necessário garimpar
achar a porta, a janela, enfim
a estreita passagem
para melhorar
para ter o sorriso.

A quem interessar possa,
é o sorriso mais doce
mais doce que doce de batata-doce mais doce que o normal.
E, paradoxalmente, não enjoa.

Também digo que levou tempo
para termos os mesmos problemas
medos e desejos.
Mas a essa altura já era mais fácil.
Já era sentimento certo.
Já não era só sonho, decerto.

Mais tempo levou
para que os olhares distantes
fossem transformados em carícias doces...
Alguns toques bastaram - onze ou doze -
para a entrega às malícias.

E me lembro:
foi momento de ex(c)itação,
te(n)são,
descobertas sob a coberta.
Era carne.

E depois disso...
CC - Felipe Fausto
De repente, não mais que de repente...


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Mal-estar

Em casa, um dia de nada.
Nem malhar.
Nem correr.
Nem brincar.
Nada.

Nem nadar.
Nem subir.
Nem cair.
Nem chorar.

Nenhuma ferida - a não ser que contem-se as picadas de pernilongos -
Nenhuma fratura,
Nenhuma risada ou nova brincadeira preferida.
Nada

Só vagos pensamentos
Vagueando às sombras de todo o mal
Ao fim de cada ritual,
Junto com o choro e a vela,
O papel e a caneta,
O adjunto perto do verbo.

Fora isso, nada.
Nem decisões,
Nem precauções,
Nenhum tipo de ação,
Nada!

E o que se ouve na beira da piscina,
 detrás das páginas amarelas de Freud:
 - Nada!

CC - Felipe Fausto