quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Meu (triste) hino a São Carlos

Não sei como dizer adeus.
Mal sei dizer "até logo".
Como deixar as raizes,
As pessoas,
Os sentimentos de minha terra,
Cidade sorriso.

Da catedral,
Se outrora cantante,
Hoje abandonada.

Sei que sou só mais um errante
Que caminha por suas ruas.
Mas tanto tenho que fazer por ti,
Para que - como - hei de sair daqui?

Ainda que distante,
Nunca te abandonarei,
Ó terra já não tão alegre
Escondida do sol
Pela poluição
E abafada
Pelo prefeito patrão.

Ainda que distante, serei teu filho
E mesmo que triste, serei por ti
E mesmo que descrente
Hei de lutar
Para reerguer a cidade
E deixá-la, novamente
Decente
De gente
Pra gente.

CC - Felipe Fausto

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Um trato e o parto

- Parto-me
mas fico,
pois deixo você
e nossos filhos.

Por vós, volto
por vontade de ouvir-vos.
Especialmente teu riso.

Volto logo,
a ver-vos novamente.
Queira Deus que antes do terceiro.
Queira eu lembrar de teu cheiro.

 - Vá mas vá sem pressa!
Volte antes que apareça
dor ou debilidade.
volte antes que escureça,
antes que acabe a peça.
Volte e saiamos à pesca.

- Se, por primeiro, te quis junto a mim
por último, faço de mim
vida breve.
Volto em breve.
Por ti. Por mim.
CC - Felipe Fausto

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Afunilamento

Foi difícil, trabalhoso e levou tempo
para estreitar a relação.
Primeiro foi preciso arriscar
depois perseverar
-depois de munto sonhar, imaginar...

A partir do momento deciso
foi necessário garimpar
achar a porta, a janela, enfim
a estreita passagem
para melhorar
para ter o sorriso.

A quem interessar possa,
é o sorriso mais doce
mais doce que doce de batata-doce mais doce que o normal.
E, paradoxalmente, não enjoa.

Também digo que levou tempo
para termos os mesmos problemas
medos e desejos.
Mas a essa altura já era mais fácil.
Já era sentimento certo.
Já não era só sonho, decerto.

Mais tempo levou
para que os olhares distantes
fossem transformados em carícias doces...
Alguns toques bastaram - onze ou doze -
para a entrega às malícias.

E me lembro:
foi momento de ex(c)itação,
te(n)são,
descobertas sob a coberta.
Era carne.

E depois disso...
CC - Felipe Fausto
De repente, não mais que de repente...


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Mal-estar

Em casa, um dia de nada.
Nem malhar.
Nem correr.
Nem brincar.
Nada.

Nem nadar.
Nem subir.
Nem cair.
Nem chorar.

Nenhuma ferida - a não ser que contem-se as picadas de pernilongos -
Nenhuma fratura,
Nenhuma risada ou nova brincadeira preferida.
Nada

Só vagos pensamentos
Vagueando às sombras de todo o mal
Ao fim de cada ritual,
Junto com o choro e a vela,
O papel e a caneta,
O adjunto perto do verbo.

Fora isso, nada.
Nem decisões,
Nem precauções,
Nenhum tipo de ação,
Nada!

E o que se ouve na beira da piscina,
 detrás das páginas amarelas de Freud:
 - Nada!

CC - Felipe Fausto

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Pílula de fada

É nessas horas que eu sinto falta de você
e de um copo de absinto.
Mas uma taça de vinho tinto, me contenta.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Nota Musical

Pelo que tenho visto e vivido, a maior gama de agentes culturais é de gente expontânea e feliz. A maioria nascente do nosso belo rock. A parceria musicista ainda se mostra forte, mesmo em meio a tantas brigas financeiras de direitos autorais e outros esquerdos...
Anima muito ver que ainda temos coisa boa, e, principalmente,  gente pra divulgar a gente independente. Bastante agente servente à nossa gente e outras rimas que caberiam, formariam outra música, e seria divulgada por essa rede.
CC - Felipe Fausto

domingo, 19 de junho de 2011

Maria

O sorriso mais sincero está amarelo
O mais falso deu lugar ao mais sincero
O que era bom está virando tédio

Rotinas que se alternam
Nas esquinas se cancelam
Nas ruas se esfacelam

Sentimento singelo
Num coração de pedra
Trabalha como martelo

Dessa pedra sai um castelo
No topo dele
A donzela
A mais bela
Dentre as belas

Aquela que fez escrever
O poeta que não queria razão para o ser
Tato que não queria sentir
CC - Felipe Fausto

domingo, 15 de maio de 2011

Ê, chuva...

Que raiva da chuva...
que começou como chuvisco
quinze minutos depois
do que seria o perfeito
para um primeiro beijo.


A chuva
que molha só
e abaixa o pó
desse interiorzão vazio.


E que vazio!
Só sobrou a "depressão pós-show",
que deixa "quero mais" solto no ar...
- Não um "mais", propriamente dito, quantitativo -
mais além!
além mar
além terra
Quero ir além céu
além Sol
com você.
Isso a chuva não abaixou.
CC - Felipe Fausto

terça-feira, 22 de março de 2011

WebTV PARACATUZUM

 O vídeo abaixo é o primeiro trabalho da WebTv PARACATUZUM, no qual entrevistamos Helvio Tamoio, criador do projeto. Ele conta um pouco sobre sua vida e como surgiu o programa.
Para conhecer melhor o trabalho, visite o site do PARACATUZUM

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Aqui

É sempre assim:
Enquanto os mais velhos se preocupam em tentar escrever o passado, os despreocupados jovens já estão lembrando do futuro.
Até que se junta tudo num desenho chamado presente: O melhor lugar do mundo.
CC - Felipe Fausto