quarta-feira, 14 de julho de 2010

Lembranças





Lá fora a chuva cai e por algum motivo a saudade aumenta. Odeio o frio e dias nublados. Prefiro as tempestades que chegam e destroem tudo; e com elas os trovões, que fazem uma das mais belas melodias. Em dias de chuva tudo se torna triste. A dor da sua falta parece aumentar, todo sentimento parece ser multiplicado por dez... Chorar também parece ser mais fácil em dias como esses.
As lembranças do passado voltam e, como a chuva, incomodam.
Hoje - mais do que todos os outros dias chuvosos que já vivi - um sentimento e uma vontade em especial me chamaram atenção. Mais do que nunca, desejei que por engano meu telefone tocasse e fosse você; quis que ao ir à padaria à tarde eu trombasse com você; imaginei como seria se por mágica ou por qualquer coisa surreal você aparecesse na minha frente.
Foi nesse momento que quis que o desejo que fiz quando vi uma estrela cadente a algumas semanas atrás se realizasse; que aquele lance da hora certa fosse verdade (19:19 Terás uma surpresa.); que o sonho que tive numa noite dessas, onde estava abraçada com você no meio de uma praça que o Sol nos iluminava se tornasse realidade.
Por esses e outros motivos desejei ser criança novamente; só pra ver a chuva como motivo de alegria e não de saudade.

Bia Oliveira

terça-feira, 29 de junho de 2010

O Vilarejo


"A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão.
É uma questão de
consciência"
Mahatma Gandhi



Há um tempo, um vilarejo vivia um sentimento quase infantil. Não que desfutasse de uma enorme quantidade de bens. Na verdade, isso não ocorria por escassez, e, sim, porque ninguém os desejava; não eram necessários. E durante muito tempo foi assim. A felicidade era plena.
Todavia, alguém chegou de repente, e se abismou com a situação. Via pessoas trocando gatos por lebres sem se importarem. De fato não importava. Uns preferiam gatos; outros, lebres. E, por respeito ao próximo, ninguém interferia nos gostos alheios. Aquele novo ser do Vilarejo, porém, começou a pregar seus pensamentos e seus gostos como verdade absoluta. Primeiramente reuniu pessoas que encontravam prazer em coisas semelhantes. Depois, essas começaram a pregar a mesma doutrina. E o grupo cresceu.
Quando a maioria já estava padronizada e alguns ainda se viam livres da sistematização, os líderes da recém-formada "Sociedade" viam os diferentes como ameaças. Tomaram então a seguinte decisão: aprisionar os diferentes.
E assim se fez. Todos aqueles que não seguiam o pensamento da maioria foram encarcerados. Os "presos", porém, não se revoltaram. Pelo contrário: viveram sua liberdade num espaço reduzido, servidos pelos "livres", que, por sua vez, eram presos no vilarejo afora.

CC-Felipe Fausto

E a razão?

A razão humana (quando utilizada) é desperdiçada em fins inúteis, devido à política individualista que sempre nos foi pregada; o povo brasileiro, especialmente, utiliza de sua racionalidade para sempre tirar proveito em qualquer situação.
A racionalidade perdeu o âmbito social, não mais visa uma questão comum. A razão passou a ser utilizada visando apenas o deus da "Era da IN-formação": O dinheiro. Só se vê maior divisão e exclusão social, em torno dos bens de consumo.
Devido a essa alienação do raciocínio, a verdadeira racionalidade - o questionamento, o poder de observar a sociedade e pensar no rumo que estamos tomando - se perdeu.
Utilizo minha razão, primordialmente para não perdê-la. Creio que utilizar a racionalidade para despertar o senso crítico de outrem seja difícil, mas necessário.

CC-Felipe Fausto