quinta-feira, 8 de abril de 2010

Se...

Se ao menos eu tivesse tua voz, para adoçar meus ouvidos;
teu abraço, para esquentar meu corpo;
teu sorriso, para irradiar alegria em meus olhos...

Se ao menos eu pudesse te ver todo dia
se eu pudesse te dar alegria...
se eu pudesse, garanto que o faria.

Mas não tenho nada, nada posso, nada faço.

O que mais eu quero? O que menos posso!?

Para que buscar alegria e pureza
naquilo que é puro e alegre
- e perfeito - por si só?

Qual a maior manifestação de amor?
Hoje penso que seja fazê-lo morrer
antes mesmo que possa nascer
assim ninguém sente sua dor.

A alegria de se amar é a maior existente
a tristeza por não amar é maior ainda.

Palavras de ânimo,
num coração sem um fundilho sequer
de alegria (ou amor),
são como gotas de água em solo árido por lei.

Faz-se germinar novas vidas,
crescem a esperança dos novos frutos,
mas antes mesmo que a semente possa quebrar a casca
aquela gotícula insgnificante de água
(que nem deveria ter sido jogada lá)
se dissipa para tão pouco terreno
obrigando o pobre solo a roubar a água daquela semente
e por fim,
perdê-la.

Apesar do homem ter sido criado para amar,
essa é justamente a maior dificuldade dele.
Quer tornar tudo "perfeito" à sua maneira.

Mal sabe o pobre homem, que o amor já é perfeito.
Felipe Fausto

Soneto mal-vindo

E a lágrima que insiste em não cair,
que há muito se esconde atrás do meu olho
- olho entristecido, que só olha errado -
e que não se concretiza na face.

A lágrima já sem temperatura
- porque já não recordo sua quentura -,
que muito ensaia o seu aparecer,
e após o ensaio volta a se esconder,

já tem se tornado bem mais confiante.
Quer fazer difícil, bilhar no breu.
Tem sido variável de sentido.

Em horas quer vir por grande alegria,
em outras por alguma decepção.
Veio hoje e quebrou meu coração.

CC - Felipe Fausto